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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Gesner Oliveira e Luiz Chrysostomo participam de debate sobre a necessidade das PPPs no Programa da Miriam Leitão

Gesner Oliveira, sócio da GO Associados, e Luiz Chrysostomo organizaram um livro sobre as Parcerias Público-Privadas. Eles participaram quinta-feira,  14/11, de um interessante debate com Sidney Rezende no Programa da Miriam Leitão. Para acompanhar a entrevista clique aqui.


Consumo

Cenário incerto de 2014 aumenta a cautela no varejo

Consumidores lotam as lojas da Rua 25 de Março, em São Paulo, para as compras de Natal - 12/12/2010
Consumidores lotam as lojas da Rua 25 de Março, em São Paulo, para as compras de Natal (Sebastião Moreira/EFE)
A menos de um mês e meio do Natal, o que se vê, por enquanto, é um comportamento atípico de comerciantes e consumidores. Redes varejistas não alongaram os prazos de pagamento dos financiamentos para que a prestação "se encaixe" no orçamento do brasileiro. Enfatizam, porém, o desconto no pagamento à vista. Esticar prazo e jogar a primeira prestação para o ano seguinte foram práticas comuns recentemente, sobretudo em momentos de juros em alta, como o atual.
O consumidor, por sua vez, aproveitou os feirões de renegociação de dívidas, que ocorreram durante o ano todo. Mas o inadimplente que limpou o nome não tem intenção de cair novamente na farra do consumo. Pesquisas mostram que cresceu significativamente, em relação a anos anteriores, a fatia daqueles que pretendem usar a primeira parcela do 13.º salário para poupar. A intenção de gastar essa renda extra para ir às compras ou quitar dívidas também é menor em relação a 2012. Economistas atribuem a mudança de comportamento de varejistas e consumidores às incertezas que rondam a economia no ano que vem.
Para o economista-chefe da Acrefi, associação que reúne as financeiras, Nicola Tingas, a cautela de consumidores e empresas existe porque há muitas incertezas. Para o consumidor, há, segundo ele, um claro esgotamento do ciclo de crédito. "O poder aquisitivo do brasileiro está restrito", observa.
Essa restrição do consumidor, segundo Tingas, é resultado da combinação de vários fatores negativos. "Não existem acréscimos de renda significativos." Nas contas do diretor de pesquisa econômica da GO Associados, Fabio Silveira, a massa real de rendimentos, que cresceu 6,6% ao ano entre 2010 e 2012, deve aumentar 2,5% este ano e 1,4% em 2014. Esse é um dos motivos apontados por Silveira para que o comércio não tenha um impulso significativo.
(Com Estadão Conteúdo)

Link: http://veja.abril.com.br/noticia/economia/cenario-incerto-de-2014-aumenta-a-cautela-no-varejo

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

ESPECIAL CIDADES INTELIGENTES04/07/2013

Em busca da cidade ideal

O que precisa ser feito para transformá-las em espaços sustentáveis, eficientes, criativos e acolhedores

por Afonso Capelas Jr.                                                             
Certo dia, o empresário brasileiro Valério Gomes Neto teve a ideia de erguer uma cidade inteligente. Para concretizar o sonho, em 2000 desapropriou sua fazenda de gado de 250 hectares localizada no município de Palhoça, a 15 quilômetros de Florianópolis, antes que a propriedade fosse engolida pela crescente urbanização da região metropolitana da capital catarinense. Ali, Gomes fundou os pilares de um bairro-cidade modelo. Chamado de Pedra Branca, é inspirado nos conceitos de sustentabilidade: o traçado urbanístico foi planejado com ruas que priorizam pessoas, e não automóveis, e onde estão prédios comerciais equipados com materiais e tecnologia de baixo impacto ambiental. Esses edifícios estão próximos de conjuntos residenciais para diversas classes sociais. Assim, os moradores podem ir ao trabalho caminhando pelas calçadas largas e bem cuidadas ou pedalando pelas ciclovias.
Quando estiver totalmente implantada – o que deve acontecer ainda neste ano –, Pedra Branca terá comércio diversificado, generosas opções de esporte, lazer e cultura, além de espaços públicos com muito verde. São ambientes propícios ao relacionamento e à troca de informações entre habitantes de diferentes idades e níveis sociais. “Pedra Branca tem o conceito de cidade compacta, complexa, conectada e com convivência”, conta o empresário de 58 anos. Uma universidade foi a primeira a instalar-se no bairro-cidade, atraindo jovens estudantes e educadores para a região. “Outras instituições educacionais também estão interessadas em vir. Queremos incentivar um polo de cultura e economia criativa.” Cerca de 8 mil habitantes já vivem no bairro-cidade. “Nos próximos 20 anos, serão 40 mil”, anima-se.
Pedra Branca mostra o caminho em que as grandes cidades brasileiras precisam seguir neste século 21. Mas elas ainda engatinham. Hoje, o grande debate entre os urbanistas é como transformar metrópoles apinhadas de problemas estruturais em cidades sustentáveis e inteligentes. Até porque, ao contrário do planejado bairro-cidade catarinense, é bem mais complicado – e caro – dar jeito a décadas de erros, descasos e falta de planejamento: a triste realidade da maioria esmagadora de nossos centros urbanos.
As soluções viáveis passam por investimento pesado em infraestruturas e tecnologias sustentáveis que impulsionem um crescimento econômico com menos impacto ambiental, o que reduz a pobreza e as emissões de gases responsáveis pelas mudanças climáticas. Nesse sentido, as metrópoles terão de se reinventar em várias frentes: da mobilidade à saúde pública, do urbanismo à segurança, da energia ao saneamento básico, ao meio ambiente e à reciclagem.
A mobilidade é, sem dúvida, um dos problemas mais complicados para a convivência urbana, e precisa ser planejada em conjunto com o chamado Plano Diretor Estratégico do município. “É importante evitar que o território das cidades se espalhe, compactando-as o máximo possível e privilegiando o adensamento nas áreas já construídas e que contenham infraestrutura urbana instalada”, diz Maurício Broinizi, coordenador executivo da Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis. Um bom exemplo vem da Espanha, onde Vitoria Gasteiz – eleita Cidade Verde Europeia em 2012 – conseguiu que quase toda a população, de 250 mil habitantes, disponha de grande parte dos serviços básicos essenciais e áreas verdes em um raio de 300 metros. Assim como a francesa Nantes, que acaba de ganhar o mesmo título neste ano.
Outro ponto nevrálgico é o lixo. A crescente produção de resíduos tornou-se um dos maiores desafios contemporâneos. “É um problema complexo porque, além do aspecto ambiental, envolve dimensões culturais, sociais, políticas e econômicas”, diz Francisco Pereira Filho, diretorpresidente do Instituto Aryran de Desenvolvimento Humano e especialista em resíduos sólidos e reciclagem. Para ele, as metrópoles brasileiras podem se tornar inteligentes sob esse aspecto quando, de fato, for implantada a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
NG - Inovação e criatividade em uma zona revitalizada: a região conhecida como @22, em Barcelona
Inovação e criatividade em uma zona revitalizada: a região conhecida como @22, em Barcelona, é formada por antigos galpões industriais, que deram lugar a modernas empresas de tecnologia - Foto: Guido Cozzi/Corbis/Latinstock
Transformada em lei em agosto de 2010, a PNRS impõe normas rígidas para coleta seletiva, destinação e reciclagem de resíduos, além de abolição dos lixões a céu aberto, substituídos por aterros sanitários. “Essa lei cria passos importantes. Um dos principais é a implantação da logística reversa, último elo da cadeia de consumo, em que as empresas se responsabilizam pelo destino adequado do descarte de seus produtos.”
Outros mecanismos da PNRS estabelecem que nós, consumidores, somos responsáveis pela separação e pelo envio dos resíduos sólidos à reciclagem. Para isso, o poder público precisa criar e divulgar ecopontos e pontos de entrega voluntária (PEV) desses materiais. Também deve promover a inclusão social dos catadores de rua, regularizar cooperativas de reciclagem e implantar aterros sanitários. Para gerenciar essas ações, os governantes terão de colocar em prática os Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS). “A partir de 1o de janeiro de 2014, as cidades que não tiverem os planos fixados verão suas contas reprovadas nos tribunais de conta estaduais ou federal”, diz o especialista em resíduos sólidos.
Pereira adverte que, no geral, uma metrópole inteligente na questão dos resíduos é virtuosa no pragmatismo. “Ela é dotada de sabedoria prática, que escolhe a limpeza e a higiene como virtudes cívicas. Mas de nada vale ter um povo educado em boas práticas ambientais se o poder público não faz sua parte.” O especialista cita Barcelona, na Espanha, como modelo de boa gestão do lixo. “A cidade era conhecida como a mais suja da Europa. Com os investimentos nos Jogos Olímpicos de 1992, foi construída uma espécie de metrô do lixo, um sistema de tubulações subterrâneas por onde os rejeitos são sugados a vácuo e seguem para estações de coleta, que fazem a distribuição entre aterros sanitários e reciclagem”, diz.
Uma metrópole inteligente é também aquela que universaliza os serviços de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto. Uma “cidade 300%”, como costuma dizer Gesner de Oliveira, ex-presidente da Sabesp, a companhia de saneamento básico de São Paulo. “Ela oferece 100% de fornecimento de água potável, uma rede que atinge 100% dos imóveis e 100% do esgoto tratado”, explica. Trata-se de um desafio hercúleo a quase todos os municípios brasileiros, reconhece. “É preciso superar problemas onde há, por exemplo, muitas favelas, em que a água é roubada em ligações clandestinas – gerando vazamentos e desperdícios –, e ultrapassar dificuldades para implantar redes de esgoto, pois muitas das construções irregulares são em fundos de vale, onde, em geral, estão os coletores-tronco, que conduzem o esgoto por gravidade até as Estações de Tratamento de Efluentes, as ETEs.”
Outro entrave é o investimento a ser feito. “Nos lares mais pobres, não há recursos para implantar a instalação domiciliar. Seria preciso investir, até 2030, mais de 300 bilhões de reais”, revela Oliveira. Para poupar os mananciais, também seria necessário implantar redes específicas para as águas de reúso, que poderiam ser recicladas nas estações de tratamento de efluentes e destinadas a geração de energia, refrigeração de equipamentos e limpeza de espaços públicos.
Cidades 300% já existem mundo afora, mas nenhuma no Brasil. Israel destaca-se por reutilizar 80% de seu esgoto. Cingapura conseguiu deixar a água dos efluentes das ETEs potável. Em algumas metrópoles japonesas, as perdas por vazamentos não passam de 10%, caso único no mundo. Na Alemanha, boa parte dos municípios faz a compostagem do lodo gerado nas ETEs, e o transforma em eletricidade por meio do biogás. “A maioria das cidades dos países desenvolvidos já atingiu a universalização dos serviços. Agora, está adotando sistemas sofisticados de computador para controlar redes de abastecimento. Esses sistemas permitem intervenções como manobras de válvulas e bombas comandadas a distância”, conta Gesner de Oliveira.  

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Brasil deveria vetar fusão da Vivo com a TIM, diz ex-presidente do CadeGester Oliveira prega rigor na telefonia e vê no leilão de Confins teste importante

Publicação: 11/11/2013 06:00 Atualização: 11/11/2013 07:28


Mais sensíveis, no momento, que o leilão para exploração de petróleo no campo de Libra, frustrado no quesito concorrência, as licitações do dia 22 do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Grande Belo Horizonte, e do terminal do Galeão, no Rio de Janeiro, serão um teste decisivo para o programa de concessões do governo federal na área de infraestrutura. A melhor forma de garantir que a população pague menos e tenha acesso a serviços públicos de qualidade é forçar a entrada de novas empresas, seja nos aeroportos, seja nas ferrovias e rodovias e nas telecomunicações, alerta o economista Gesner Oliveira, ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “Se o leilão de Confins e do Galeão forem bem-sucedidos, o resultado vai influenciar todo o cenário das próximas concessões”, afirma. Outro ponto nevrálgico da nova era de gestão privada, que pouca atenção tem merecido, na avaliação do consultor e sócio da GO Associados, será a necessidade de fortalecimento das agências reguladoras numa ação coordenada com o Cade, para o país evitar atos de concentração de poder. Um bom exemplo desse desafio, na avaliação de Gesner Oliveira, está na decisão que o Cade terá de tomar sobre a permanência do controle das rivais Vivo e TIM sob o guarda-chuva da Telefônica. “Qualquer operação que envolvesse a fusão das duas companhias deveria ser vetada”, disse, no intervalo de palestras dadas na semana passada em Belo Horizonte, onde ele lançou a segunda edição de Direito e economia da Concorrência, publicação em coautoria com João Grandino Rodas, também ex-presidente do Cade.


O senhor foi um dos críticos da falta de estímulo à concorrência nas regras do leilão do campo de Libra. O que esperar das rodadas de licitação dos aeroportos de Confins e do Galeão, marcadas para dia 22?

No leilão de campo de Libra, o modelo de partilha não estimulou muito o investidor, embora seja um ativo extremamente atraente. Ser sócio da Petrobras pode ser vantajoso em vários aspectos, mas o ponto desfavorável foi a sociedade compulsória com a empresa. Na formatação para os aeroportos houve a preocupação de não haver o domínio de um único grupo. (O governo alterou o edital de leilão de Confins e do Galeão para impedir que um mesmo consórcio arremate os dois aeroportos). Há diferenças importantes nos dois processos. A demanda nos aeroportos vem crescendo 10% ao ano, o prazo que os investimentos requerem é menor e o negócio rentável. Será um teste importante se os leilões forem bem-sucedidos, não só para os demais leilões de aeroportos, como também para as ferrovias, portos e o cenário das próximas concessões do programa federal, inclusive na área da saúde. Todas elas envolvem muitas questões concorrenciais.

À luz da nova legislação brasileira da concorrência (de 2011), o Brasil vai conseguir avançar na regulação dos serviços públicos?
A lei trouxe avanços importantes e um deles é justamente o fato de prever o relacionamento formal e sistemático entre o Cade e as agências reguladoras. O Cade não vai entrar em questões de regulação de tarifas de telecomunicações ou padrões técnicos exigidos em aeroportos, mas quando surge um problema concorrencial é importante que ele interfira, sempre fazendo prevalecer a concorrência e, muitas vezes, a manifestação do Cade ajuda a agência a fazer uma regra concorrencial. Isso vale para as operadoras de telefonia e as ferrovias.

Em outubro, a espanhola Telefônica, que é dona da Vivo e tem participação na TIM, anunciou aumento de participação no grupo Telco, acionista majoritário da Telecom Italia (TIM). Uma eventual fusão entre as duas maiores empresas do setor no Brasil não seria vantajosa só para os acionistas?
Se houver uma fusão entre a Vivo e a TIM será muito ruim para a concorrência e para o consumidor,representaria um excesso de poder de mercado. Na minha opinião, qualquer operação que envolvesse uma fusão entre as duas companhias deveria ser vetada. Não há maneira melhor de reduzir os preços e, pelo amor de Deus, melhorar o atendimento do consumidor do que facilitar a entrada de novas empresas. As centrais de telefonia se tornaram motivo para os humoristas no Brasil. Precisamos ter mais atenção com o consumidor e as agências reguladoras devem ser mais rigorosas, estimulando a competição na prestação dos serviços. Para isso, é essencial o fortalecimento institucional delas.

Com a nova lei da concorrência, adotada, de fato, no ano passado, o Brasil já teria instrumentos no mesmo padrão de países desenvolvidos?
Avançamos no exame prévio das fusões e aquisições e nesse aspecto o Brasil ficou em linha com a maioria dos países. Isso tornou o nosso controle mais eficaz. Presenciamos fusões de Sadia e Perdigão, Kolinos e Colgate, Nestlé e Garoto, que só depois de fechado o negócio foram submetidas ao Cade. É o mesmo que pasta de dente fora do tubo. Outras duas vantagens da nova legislação são o aumento do valor das multas (de R$ 6 milhões para R$ 2 bilhões) em caso de prática de cartel e a melhora dos dispositivos de combate a ações coordenadas entre os concorrentes para determinar preços e condições de mercado. A possibiidade de delação premiada é um deles. Além disso, passou de dois para quadro anos o mandato dos conselheiros do Cade.

A presidente Dilma Rousseff reclamou que o mundo está mais protecionista, mas tem adotado uma série de restrições às importações. Como o senhor. avalia esse ambiente?
O protecionismo no mundo foi acentuado depois da grande recessão de 2008 e 2009. Os países centrais fecharam seus mercados e o Brasil também adotou restrições ao comércio, mas o governo brasileiro deve ser mais proativo nos acordos bilaterais. Estamos lentos no aproveitamento desses acordos e em medidas que combinem a defesa contra o comércio desleal e iniciativas visando ao aumento da eficiência brasileira.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013


Serra prevê alta de juros em 2014


Por Fernando Taquari | De São Paulo
Com um discurso crítico à política econômica do governo federal, o ex-governador José Serra (PSDB) disse ontem que exercer a Presidência não será tarefa fácil a partir do próximo mandato. Em palestra para a consultoria multidisciplinar GO Associados, realizada por teleconferência, o tucano mostrou pessimismo com os rumos da economia nacional. No entanto, fez questão de ressaltar que não é impossível tratar dos desarranjos. Serra tenta se viabilizar dentro e fora do partido para concorrer ao Palácio do Planalto.
O tucano observou que os juros devem subir em 2014 para compensar a pressão nos preços na esteira da desvalorização cambial. "[O aumento dos juros] vai ultrapassar as previsões porque se desvalorizar o câmbio, sobe a inflação, o que não é bom para o governo em ano eleitoral", afirmou. A associação entre alta dos juros e a eleição presidencial já tinha sido feita pelo o ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) Gesner Oliveira, sócio da GO Associados.
"A inflação tem um efeito tremendo sobre resultados eleitorais. A tendência vai ser acelerar o aumento dos juros como forma de contenção da inflação", declarou Gesner. Serra disse ainda que o cenário econômico piorou e que a partir de 2015 o presidente não terá como enfrentar a inflação apenas pela contenção de preços. "Ninguém imagina que os preços vão ficar congelados para sempre. O próximo governo não terá essa margem de manobra", argumentou.
O ex-governador afirmou que as perspectivas também são negativas em outras áreas. Como exemplo, citou o aumento no déficit em conta corrente, a expectativa de que queda no saldo da balança comercial e a expansão do gasto público sem qualidade, apenas para "políticas salariais expansionistas". Além disso, ironizou a aposta do governo federal pelos modelos de concessão e partilha para ampliar os investimentos no país. "Os erros cometidos são material para curso. Isso deveria ser estudado nas escolas sobre como se investe mal, como não se sabe planejar nem investir no Brasil pelo menos na era petista", afirmou o tucano
Por fim, afirmou que o futuro presidente ficará com o "mico" de lidar com a atual política do Tesouro Nacional de créditos subsidiados à iniciativa privada. O estoque dos empréstimos, estimou, está em torno de R$ 400 bilhões. "Eu duvido que não haja uma boa parte desses créditos sem saúde, que não sejam bons créditos. Nós vamos ter problemas na hora deles serem saldados".


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Serra diz que Presidência não será fácil a partir 

de 2015


Por Fernando Taquari | Valor
SÃO PAULO  -  O ex-governador José Serra (PSDB) disse, nesta quarta-feira, 6, que exercer a Presidência da República não será tarefa fácil a partir do próximo mandato. Em teleconferência para a consultoria multidisciplinar GO Associados, o tucano fez um discurso recheado de críticas à política econômica do governo Dilma Rousseff.
Serra previu um aumento dos juros em 2014, para compensar uma eventual pressão nos preços por conta da desvalorização do câmbio.
“[O aumento dos juros] vai ultrapassar as previsões porque se desvalorizar o câmbio, a inflação sobe, o que não é bom para o governo em ano eleitoral”, afirmou ele, que busca espaço no PSDB para concorrer à Presidência da República em 2014.
O tucano ressaltou que o cenário econômico piorou em relação às previsões iniciais e que, a partir de 2015, quem estiver no cargo de presidente não terá como enfrentar a pressão dos preços apenas pela repressão.
“Ninguém imagina que os preços vão ficar congelados para sempre. O próximo governo não terá essa margem de manobra, não poderá recorrer a esses expedientes”, disse.
O ex-governador afirmou também que as perspectivas são negativas em outras áreas. Como exemplo, citou o aumento no déficit em conta corrente e a expansão da política fiscal.
“É curioso fazer decomposição desses gastos. Na área da educação subiu 27% em relação a 2012. São apenas políticas salariais expansionistas. Bem o figurino de quem ocupa o ministério (Aloizio Mercadante). Isso não beneficia a qualidade. É o aumento pelo aumento.”
Serra, derrotado nas eleições presidenciais de 2002 e 2010, também disse que a expectativa de expansão dos investimentos neste ano não se confirmou pelos modelos do governo de concessão e partilha, no caso do pré-sal no Campo de Libra. Ele também lembrou que a balança comercial deve registrar saldo negativo em 2013, após seguidos anos de superávit.
As perspectivas, segundo o tucano, não são boas nessa área, de um lado pelo aumento da concorrência e, de outro, pelo protecionismo do Brasil e de outros países. “Tampouco se espera um círculo de alta dos preços dos agrominerais.”
(Fernando Taquari | Valor)

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