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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Siderúrgicas defendem desoneração junto a governos estaduais

Publicação: 30/04/2014 00:12 Atualização: 30/04/2014 07:38

São Paulo – A despeito da crise no setor energético que o Brasil enfrenta e da necessidade de reduzir as pressões da produção industrial sobre o meio ambiente, o país se vale menos do que poderia de materiais recicláveis, como a sucata de ferro e aço. Só 26% a 28% da produção nacional siderúrgica usam a sucata ferrosa (sobras das próprias usinas, peças e partes de automóveis, eletrodomésticos, bicicletas e máquinas e equipamentos descartados), frente à participação desse insumo na indústria siderúrgica mundial, de 45%. Estruturado sobre uma longa cadeia desde a coleta à preparação, ao processamento e à exportação, o comércio de sucata ferrosa vende cerca de 800 mil toneladas por mês no mercado interno, respondendo pelo maior volume de recicláveis.
Estudo inédito elaborado pelo Grupo de Economia da Infraestrutura e Soluções Ambientais da Fundação Getulio Vargas (FGV) indica que as grandes empresas concentradas no Sudeste, principalmente em São Paulo e Minas Gerais, comercializam 300 mil toneladas mensais da sucata ferrosa. O levantamento de dados sobre o setor, divulgado ontem, foi encomendado pelo Instituto Nacional das Empresas de Sucata de Ferro e Aço (Inesfa), que trabalha numa investida junto aos governos de vários estados para desonerar o setor na expectativa de aumentar o consumo.
A criação de estímulo tributário para levar a indústria siderúrgica a aumentar a demanda pela sucata ferrosa foi defendida pelo coordenador do estudo Painel de Indicadores Setoriais para o Comércio Atacadista de Sucata Ferrosa, Gesner Oliveira, economista e professor da FGV. “Existe um grande potencial de crescimento do setor como gerador de emprego e de oportunidades, além dos benefícios de um insumo mais eficiente em termos de emissão de gases”, afirmou.
As estimativas são de que cada tonelada de aço reciclado representa uma economia de 1,140 mil quilos de minério de ferro, 154 quilos de carvão e 18 quilos de cal. Outras duas possibilidades de incremento do comércio de sucata ferrosa estariam no aumento dos leilões de veículos antigos e nas diretrizes do Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Segundo o presidente do Inesfa, Marcos Fonseca, a instituição tenta levar ao Conselho de Política Fazendária (Confaz) a discussão sobre a desoneração do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS). Desde 2005, o setor está desonerado do PIS-Cofins.
PREÇOS Outro descontentamento das empresas está nos preços negociados no mercado brasileiro, que são, em média, US$ 80 a US$ 100 por tonelada mais baratos frente à cotação do produto no mercado internacional, segundo Fonseca. No ano passado, o segmento entrou em conflito com a indústria siderúrgica sobre a proposta de tarifação das exportações de sucata. O presidente do Inesfa disse que a venda no mercado externo é fonte importante de receita das empresas – o Brasil exporta o correspondente a 3,5% do volume de sucata consumida internamente –, sobretudo num período como 2014, em que o comércio vislumbra a queda da demanda do setor siderúrgico.
Faltam números precisos sobre o tamanho desse comércio, mas as informações conhecidas sobre o segmento atacadista brasileiro de resíduos e sucata em geral dão pistas: há cerca de 6,3 mil empresas atuando no ramo, com receita líquida operacional estimada em R$ 7,9 bilhões em 2011 (último dado disponível) e 55,8 mil empregos diretos. 

(*) A repórter viajou a convite do Inesfa
Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2014/04/30/internas_economia,523924/siderurgicas-defendem-desoneracao-junto-a-governos-estaduais.shtml

quinta-feira, 24 de abril de 2014


Dejetos industriais comprometem a água em SP


Por Marleine Cohen | Para o Valor, de São Paulo

Dez milhões de litros de poluentes descartados ilegalmente nos mananciais, por hora. Essa é a carga de efluentes que o parque industrial instalado nos 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo despeja de forma regular em rios e lagos, com graves danos ao meio ambiente e à saúde pública. O volume corresponde, por dia, a dois lagos do parque do Ibirapuera cheios de resíduos industriais tóxicos lançados sem tratamento na natureza, um prejuízo comparável ao esgoto residencial não tratado que geram 11,9 milhões de habitantes, ou perto de metade da população da RMSP.
Os dados, que integram o estudo "Descarte ilegal de efluentes industriais na Região Metropolitana de São Paulo", do grupo de economia da infraestrutura e soluções ambientais da Fundação Getulio Vargas (FGV), coordenado pelo ex-presidente da Sabesp e docente da instituição, Gesner Oliveira, foi o estopim para uma discórdia entre seus autores e a Cetesb.
Segundo o estudo, embora o volume de dejetos industriais descartados ilegalmente na RMSP seja inferior ao total de esgotos residenciais que deixa de ser coletado e tratado pelas redes públicas, as características da sua carga poluidora tornam os efeitos nocivos ao meio ambiente equiparáveis. Estima-se que cada litro de esgoto industrial seja, em média, 6,6 vezes mais poluidor do que o esgoto residencial.
"É paradoxal que na RMSP, onde o estresse hídrico é comparável ao de algumas regiões do sertão nordestino, continuemos poluindo nossos mananciais com efluentes tão perigosos. Esse descarte obriga as concessionárias de saneamento a captarem água a mais de 80 km da capital, a custos elevadíssimos. Equacionar essa questão certamente poderia reduzir o risco de desabastecimento de água na região", diz Gesner Oliveira.
Além de apontar para um quadro ainda muito delicado em toda a área investigada, o estudo da FGV aventou algumas sugestões à Cetesb, não sem antes lhe imputar um diagnóstico igualmente preocupante. Segundo Oliveira, "dados da própria agência mostram que 42% das águas monitoradas em 2012 foram classificadas como péssimas, ruins ou regulares, sendo que três pontos de captação em particular - Braço de Taquacetuba, Rio Cotia e Rio Tietê - registraram situação crítica.
No caso do lançamento de efluentes industriais em mananciais, ainda de acordo com o professor da FGV, os resultados revelaram que há um grande desafio pela frente: "No mesmo período, pontos de coleta de amostras de água apresentavam 50% delas fora dos padrões para contaminantes como manganês, alumínio e ferro dissolvido".
A criação de um selo de lançamento sustentável de efluentes, o condicionamento da renovação de alvará à conformidade do descarte de dejetos e o fortalecimento da fiscalização da Cetesb -cujo orçamento total para a gestão e controle ambiental foi de R$ 387 milhões em 2013 e de R$ 348 milhões em 2012 - são algumas das alternativas propostas pelo grupo.
As conclusões a que chegou o estudo da FGV foram recebidas com algumas ressalvas pela Cetesb. Para os técnicos da agência, ainda que o documento tenha "o mérito de dar o pontapé inicial a essa discussão", é preciso "proceder a algumas correções".
"A carga poluidora, para nós, é muito clara. Nosso maior problema na RMSP não é o efluente industrial; é a coleta e tratamento do esgoto doméstico", rebateu Eduardo Mazzolenis, da diretoria de controle ambiental. Segundo o engenheiro, havia, em meados dos anos 90 - época em que se deu início ao programa de despoluição do rio Tietê - um total de 1.250 indústrias que respondiam por 90% da poluição gerada. Em seis anos, elas foram multadas e enquadradas. "Entre 1992 e 1998, 94% da descarga foi resolvida. Depois disso, não houve implantação de novas indústrias na RMSP", argumenta Mazzolenis.
Embora bem mais recente, uma análise da progressão da aplicação de multas pela Cetesb, entre 2010 e 2013, aponta que de fato houve um recuo, passando de 83 penalidades, no início da década, para 52, ano passado, o que gerou cerca de R$ 780.000,00 para os cofres públicos, ao longo de quatro anos.
Para Nelson Menegon, da diretoria de engenharia e qualidade ambiental da Cetesb, "um dos critérios que aponta uma melhoria da situação é que, entre 2000 e 2013, a barragem da Penha, ponto de medição no trecho metropolitano, passou do nível zero de concentração de oxigênio dissolvido n'água (OD) para o nível um". De maneira geral, valores de OD menores que 2 mg/L representam uma restrição à manutenção da vida nos cursos d'água, a hipoxia - o que explica que esta melhora não se tenha traduzido ainda na presença de espécies aquáticas nos rios da cidade.
Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, acolhe com muita cautela a ideia de que a situação tenha melhorado. "Está menos ruim", avalia, recorrendo ao exemplo do rio Ipiranga, um dos mais emblemáticos de São Paulo. Em 1992, era um dos cursos d'água mais poluídos do país, lembra ela. Tinha resíduos altamente tóxicos na água - cádmio, mercúrio, zinco - e havia contaminado o solo. "Hoje, a qualidade da água passou de péssima para ruim, sendo que 60% da carga de poluentes que recebe é de lixo doméstico que não foi tratado." Uma análise da situação do rio Tietê na altura da ponte das Bandeiras - outro ponto de monitoramento da SOS Mata Atlântica - revela que a qualidade das águas, ali, passou de "péssima" para "regular" em três décadas. Hoje, flutuam no leito do rio "lixo morto, pneus, sofás, isto é, parte da poluição difusa da cidade".
Segundo Malu, embora o estudo da FGV deva ser visto com imparcialidade, há que destacar que a preservação dos mananciais na RMSP ainda carece de uma fiscalização mais rigorosa e uma reformulação da legislação. "Hoje, a poluição industrial não deve ser associada às grandes companhias, mas às pequenas empresas, como os postos de gasolina, as tecelagens e curtumes que não têm condições de não poluir; trabalham com produtos de baixa qualidade - detergentes baratos, corantes tóxicos - e descartam seus efluentes nos rios."
Para ela, outro grave problema é a atual redação da Resolução Conama de 1993, atualizada em 2005, que classifica os rios em quatro grupos, permitindo, assim, que alguns se prestem tão-somente ao descarte de lixo. "Para complicar, o licenciamento ambiental é auto-declaratório: se o industrial não informar que seus efluentes são perigosos, não há fiscalização."

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Analistas passam a ver inflação do ano acima do teto


SOFIA FERNANDES DE BRASÍLIAMARIANA CARNEIRO DE SÃO PAULO
23/01/2014 - Folha de S. Paulo

A inflação no Brasil deve ultrapassar o teto da meta estipulada pelo governo neste ano e fechar o ano em 6,51%, segundo estimativa central de analistas do mercado financeiro, divulgada ontem pelo Banco Central.

Se a projeção se confirmar, será a primeira vez desde 2004 que a inflação fura o limite de tolerância, fixado pelo próprio governo, para o aumento de preços.

Um dos pontos que mais contribuíram para a estimativa de alta do mercado foram os reajustes já concedidos neste ano (veja alguns exemplos no quadro ao lado).

Na semana passada, todos os cinco aumentos autorizados pela Aneel estavam na casa dos dois dígitos. Dentre eles, a distribuidora AES-Sul (RS) foi autorizada a dar o maior aumento, de 28,86%.

"O mercado esperava uma retração maior nos preços administrados [controlados pelo governo], o que não aconteceu, sobretudo com a energia, que teve uma alta muito acima do esperado neste mês", afirmou a economista Alessandra Ribeiro, da consultoria Tendências.

INFLAÇÃO A 8%
No mercado, já há analistas prevendo que a inflação possa furar o teto do governo já em junho.

Para Fábio Silveira, economista-chefe da consultoria GO Associados, a inflação acumulada em 12 meses deve chegar a 6,9% em maio e continuar em aceleração até setembro, quando ele prevê que baterá 8%. Depois disso, ele projeta uma desaceleração dos reajustes para fechar o ano com alta de 6,8%.

"O importante não é bater 8%, é a aceleração que a inflação esperada teve nos últimos meses; começou com 5,5%, alcançou 6,5% e agora está pulando para 7,5%, 8%".

Além dos preços de energia, os alimentos seguem em alta em abril. Os remédios com preços controlados pelo governo também foram reajustados em 5,68%.

Com isso, dados prévios da inflação neste mês, calculados pelo IBGE, indicam que a inflação segue pressionada. O aumento do grupo alimentação e bebidas passou de 1,11% para 1,84% nos 30 dias encerrados em meados de abril, ante o mesmo período encerrado em março.

Silveira afirma que este movimento reflete reajustes observados no atacado em março, de produtos como café, arroz, feijão e carnes.

Em abril, os preços no atacado estão recuando, mas ainda em ritmo lento, diz o economista, o que é insuficiente para derrubar a inflação.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, tem reiterado que o ciclo de aumento de juros, iniciado em abril do ano passado para debelar altas de preços, ainda surtirá efeitos.

Segundo Alessandra Ribeiro, esse efeito tardio já está nas contas de analistas para a inflação deste ano.

O instrumento que resta, diz Silveira, é forçar queda adicional do dólar, que depois de superar R$ 2,30 está ao redor de R$ 2,20. Ontem, a moeda à vista fechou negociada a R$ 2,244. "A essa altura do campeonato, o câmbio é a via mais rápida."

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Cinco desafios econômicos do próximo Governo

O economista Gésner Oliveira apresentou o cenário futuro da economia durante o CFO Club, promovido pelo Experience Club
 
Restabelecer a credibilidade, aumentar os investimentos em infraestrutura, equilibrar as contas públicas, corrigir a estrutura de preço relativo e assegurar consistência nos programas sociais são os cinco desafios que o candidato que ganhar a eleição presidencial, em outubro deste ano, deverá enfrentar. Este cenário econômico foi revelado pelo economista Gésner Oliveira, que atuou como secretario adjunto de Política Econômica e Secretário de Acompanhamento Econômico do Governo Federal e participou do grupo que formulou o Plano Real. A apresentação foi realizada durante o CFO Club, evento promovido pelo Experience Club - mais ampla e eficiente plataforma de networking e negócios do mercado.
 
“Existe um desconforto. O mundo está repleto de tensões e sem fortes perspectivas de crescimento e este cenário gera menos oportunidades e é menos promissor. Acabou o período de bonança externa para o Brasil”, ressaltou Oliveira. Nos anos 90, o problema do País era a inflação. Hoje, o grande desafio é o crescimento sustentável, que consiste em aumentar a renda per capita. Essa será a busca da próxima década. Ele ainda afirmou que a economia mundial não oferece mais as oportunidades do passado. Além disso, o Brasil decepciona ao combinar desaceleração com pressão inflacionária e precisará de ajustes a partir de 2015, independente de quem vencer as eleições.
 
“O mundo sorriu para o País na década passada. Isso foi positivo para o aumento do consumo, mas o Brasil perdeu a chance de crescer em infraestrutura e produtividade, sem a qual morreremos na política internacional”, afirmou. Por isso, aumentar os investimentos em infraestrutura é um dos principais desafios para o próximo governo. A boa notícia é que estes gargalos são grandes oportunidades para as empresas.
 
A taxa de investimento em infraestrutura é ineficiente para o crescimento do País e isso atrapalha no aumento da produtividade. Ele ainda enfatizou que a Posição do Brasil em infraestrutura é a pior em relação aos países do BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Em todos os setores a demanda aumentou. Na ordem de áreas que precisam de investimentos, os portos brasileiros estão em primeiro lugar. Na sequência vem saneamento, rodovias e ferrovias, aeroportos, energia e telecom. “A demanda cresceu em todos os segmentos e o investimento em infraestrutura teve queda entre 2008 e 2011. Para ter bons resultados seria necessário investir R$ 5 trilhões em 20 anos, ou seja, R$ 240 bilhões ao ano”, estima Oliveira.
 
Apesar de todos os desafios, vale ressaltar que hoje o Brasil possui estabilidade econômica. “Não importa quem ganhará as eleições, não haverá grandes mudanças na economia. Antes os candidatos traziam agendas opostas, hoje é clara. É muito bom estar em um ano eleitoral e não estar discutindo o que vai acontecer no Brasil. Diferente do que aconteceu no período Collor, por exemplo.”
 
CENÁRIO MUNDIAL
 
O economista explicou que o cenário mundial justifica o panorama que o novo governo enfrentará a partir de 2015. “Restabeleceu-se o eixo de desenvolvimento do mundo e houve desaceleração das economias emergentes. O hiato da taxa de crescimento entre os BRICS e os países desenvolvidos começa a fechar”.
 
Os Estados Unidos está se recuperando. Houve redução do desemprego, o PIB avançou e há expansão moderada do mercado doméstico. “As boas notícias dos EUA repercutem sobre as previsões monetárias. O Real e Yen tiveram desvalorização expressiva em 2013 com as mudanças nos EUA”, disse Oliveira. Na União Europeia a situação é frágil e há dificuldade de retomada. O desemprego ainda é elevado e a competitividade dos produtos europeus é limitada. “O dinamismo dos BRICS arrefeceu. A Índia está com problemas para manter a aceleração e não consegue conservar uma economia sustentável. Já a África do Sul e Brasil têm dificuldades de crescimento”, destacou o economista.
 
Sobre o economista Gésner Oliveira
 
Gesner Oliveira é economista pela FEA-USP, mestre pela Unicamp e PhD por Berkeley (EUA), além de autor de diversos artigos e livros no Brasil e no exterior. Tem passagem pelo Governo Federal na área macroeconômica como Secretario Adjunto de Política Econômica e Secretário de Acompanhamento Econômico. Participou do grupo que formulou o Plano Real em 1993-94. Conhece profundamente as políticas microeconômicas, regulatórias e setoriais, tendo presidido o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em 1996-2000. Foi sócio e consultor pelas Tendências e colunista da Folha de São Paulo em 2000-07. Presidiu a Sabesp durante o período 2007-2010. Atualmente, é sócio-diretor da GO Associados e professor da Fundação Getúlio Vargas.
 
Sobre o Experience Club
 
Comandado pelo empresário Ricardo Natale, é a mais ampla e eficiente plataforma de networking e negócios do mercado. Através de um calendário anual de eventos de experiências e de conteúdo, os executivos que fazem parte do top management das empresas mais representativas do país se encontram frequentemente com o objetivo de promover relacionamento profissional de alta qualidade, trocar informações relevantes para o dia a dia corporativo e incrementar o conhecimento. 
 
Fonte: http://www.segs.com.br/so-seguros/156184-cinco-desafios-economicos-do-proximo-governo.html

terça-feira, 22 de abril de 2014

Com pressão inflacionária, real pode manter a alta

22/04/2014 - 05:00
Por Marta Watanabe

Fonte: Valor Econômico

A pressão inflacionária deve concentrar as atenções do governo nos próximos meses. Por isso, no campo da política cambial, o controle da alta de preços deve ser prioridade em relação à competitividade para o comércio exterior, o que piora o quadro já pouco animador para a exportação de manufaturados, com perspectivas de uma continuidade da valorização da moeda nacional -no patamar atual, de R$ 2,20, ou mesmo a R$ 2,10. Essa é a opinião do economista Fabio Silveira, diretor de pesquisa econômica da GO Associados.
"Há uma mudança de cenário em razão do calendário político, com eleições este ano, e por conta da impressionante elevação da inflação nos últimos meses", diz o economista. Para ele, o patamar do dólar em torno de R$ 2,40 ficou para trás. "Agora a pergunta que fica é qual o piso da taxa de câmbio: R$ 2,10 ou R$ 2,20, um pouco mais ou um pouco menos?"
"Por enquanto, a preocupação do governo federal é com a pressão inflacionária e não deve haver iniciativa para retorno da desvalorização cambial", diz Lia Valls, do Ibre-FGV. A perspectiva para as indústrias exportadoras, diz Lia, não é boa, principalmente quando se leva em consideração a baixa demanda internacional por produtos dessa classe.

Silveira lembra que com a apreciação do real frente à moeda americana o exportador perde flexibilidade de preços para exportação de manufaturados. "Um recuo do dólar de R$ 2,40 para algo em torno de R$ 2,20 dá diferença próxima a 10%, o que tira rentabilidade e compromete a competitividade no mercado externo."

Lenta recuperação de Europa e EUA vira barreira à exportação

22/04/2014 - 05:00
Por Marta Watanabe e Vanessa Jurgenfeld

Fonte: Valor Econômico


A falta de reação mais consistente na demanda da União Europeia e a concentrada pauta de exportação brasileira para os Estados Unidos em itens aeronáuticos devem dificultar a esperada recuperação no embarque de manufaturados ao exterior este ano, como resultado da desvalorização mais acentuada do real frente ao dólar desde o segundo semestre de 2013.
A expectativa era que esses dois mercados - historicamente entre os mais importantes para exportação de manufaturados brasileiros - pudessem neutralizar o impacto da crise argentina na exportação brasileira. No primeiro trimestre, porém, a exportação de manufaturados caiu 8% contra iguais meses de 2013, queda mais acentuada que a média da exportação total, que recuou 2,5%.
Na mesma comparação, o embarque de manufaturados para a União Europeia recuou 6,7% e, para a Argentina, 11,1%. A exportação de manufaturados para os Estados Unidos surpreendeu de forma positiva, com alta de 6,6%, mas sobretudo ancorada em aeronaves e suas partes e peças, o que joga dúvidas sobre a sustentabilidade do crescimento neste mercado.
Nas últimas semanas, a mudança de sentido no câmbio, com a apreciação do real contra o dólar, levou algumas consultorias a revisar o patamar de dólar previsto para o fim do ano e trouxe mais incerteza para as indústrias exportadoras.
"Além de ser uma alta concentrada em poucos itens, é uma exportação que não se sustenta no decorrer do ano", diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), sobre as exportações brasileiras aos Estados Unidos.
Na avaliação das empresas, porém, apesar de não haver demanda robusta para diferentes itens, os Estados Unidos ainda são o mercado externo onde há mais expectativa de crescimento quando comparado com países da Europa.
"Acredito numa recuperação mais rápida dos Estados Unidos do que na Europa", disse Harry Schmelzer Jr., presidente da WEG. "Na Europa, é mais onde todo mundo sofreu. Os negócios não crescem, com exceção da Alemanha."
Schmelzer Jr. faz um comparativo que demonstra algumas diferenças entre as duas regiões. Cita que, nos últimos dois anos, o mercado de motores elétricos nos Estados Unidos caiu, mas a WEG cresceu em volume, ganhando participação de mercado. Em 2013, no entanto, a empresa constatou que o mercado americano de motores elétricos em geral não caiu. "E isso é um bom sinal [para a economia americana]", diz, referindo-se à retomada. "Na Europa, a gente não tem essas informações. As notícias são de muita dificuldade ainda", acrescentou.
Na calçadista Democrata, Anderson Melo, gestor de exportação, explica que no primeiro trimestre o crescimento da exportação ocorreu por expansão de vendas para América Latina, que respondeu por 60% do aumento, Ásia (25%) e, em terceiro lugar, a Europa (15%). O mercado europeu, diz Melo, reage de forma leve e gradativa. "Há melhoras pontuais nas vendas para Espanha e Holanda." Para os Estados Unidos, onde o fornecimento da empresa é para marcas de terceiros, o volume ficou estável.
Na Fundição Tupy, há algum otimismo com o mercado do Nafta, que inclui Estados Unidos, porque os segmentos de automóveis e veículos comerciais vêm apresentando sinais de crescimento, principalmente o mercado de picapes. Mas, segundo o presidente da Tupy, Luiz Tarquínio Sardinha Ferro, há dúvidas em relação ao mercado americano por conta do setor de mineração. "Em 2013, o segmento teve desempenho aquém do esperado e, em função disso, estamos cautelosos."
Em relação à Europa, Tarquínio é um dos poucos empresários que dizem ver alguns sinais positivos. "Apesar de 2013 ter começado bastante difícil, os últimos meses de 2013 passaram a esboçar um cenário de recuperação", afirmou.
Segundo Reinaldo Maykot, vice-presidente de vendas e marketing da Embraco, os Estados Unidos mostraram até agora uma recuperação mais acentuada do que os países da Europa. Maykot diz que o lado positivo é que pelo menos a Europa não está mais em queda.
Para alguns economistas, o cenário para o resto do ano indica continuidade do baixo crescimento nos Estados Unidos e quase nenhuma expansão na Europa. A GO Associados estima 2,5% de crescimento da economia americana este ano. A taxa não é de um "crescimento extraordinário", capaz de indicar elevação de demanda de manufaturados brasileiros, diz o economista Fabio Silveira. "A avaliação é de crescimento lento, já que há dúvida sobre o crescimento sustentado da indústria, da massa salarial e do varejo."
"Em relação à Europa, é preciso comprar um banquinho e sentar", afirma Silveira. A consultoria estima crescimento de 0,6% para a zona do euro, o que é considerado um avanço para uma região que até o ano passado apresentava retração econômica. "Mas entre a melhor situação fiscal dos países e a criação de um maior dinamismo econômico há um longo terreno a percorrer", avalia. No primeiro trimestre, as exportações de manufaturados à União Europeia caíram 6,7% contra iguais meses de 2013.

Para Lia Valls, economista do Ibre-FGV, o crescimento americano precisaria ser muito forte para permitir ao Brasil uma diversificação maior da pauta de exportação aos americanos. Em relação à Argentina, um vizinho considerado sempre imprevisível, e onde houve uma política de restrições de importações, Lia explica que os dados do primeiro trimestre, com queda de 11,1% no valor exportado de manufaturados, confirmam as perspectivas negativas.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

GO Associados aponta estagnação na produção de veículos


Gustavo Porto | Agência Estado

A GO Associados revisou nesta quarta-feira, 16, a estimativa de produção brasileira de veículos e aponta agora uma estagnação no setor em 2014, ante 2013, com 3,713 milhões de unidades fabricadas. A consultoria previa anteriormente uma alta de 1% e atribuiu a revisão ao fraco desempenho nas exportações para a Argentina. "No ano passado a produção só cresceu (9,8%) por conta da disparada nas exportações (27%), principalmente para argentinos que compraram carros para se proteger da inflação. Mas eles não vão comprar carros duas vezes e a produção brasileira volta ao ritmo normal de estagnação dos últimos anos", disse Fabio Silveira, diretor de Pesquisa Econômica da GO Associados.
Por conta do mercado travado com a Argentina, Silveira estima uma queda de 7% nas vendas externas em 2014, ante uma alta no mesmo porcentual na avaliação anterior. Ontem, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, discutiu com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, uma forma de ampliar o financiamento para a retomada das exportações à Argentina. A GO Associados prevê ainda aumento de 0,8% na comercialização de veículos nacionais e importados no Brasil em 2014 ante 2013, de 3,767 milhões para 3,8 milhões de unidades. Caso a previsão seja concretizada, as vendas de autos, comerciais leves, caminhões, ônibus e tratores devem ser semelhantes ao recorde de 3,805 milhões de veículos de 2012.
Segundo Silveira, a leve alta nas vendas ainda ocorrerá principalmente por conta do crescimento na massa real de rendimento, de 1%. O freio no consumo virá da alta nos juros, do endividamento das famílias e do fim do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para veículos. Do total estimado para ser comercializado este ano, 3,121 milhões de veículos são nacionais, alta prevista de 2% ante os 3,061 milhões de 2013, e 679 mil são importados, queda de 4% sobre os 707 mil do ano passado. Se considerados apenas os veículos leves, as vendas devem crescer 2,1% entre 2013 e 2014, para 2,937 milhões de unidades.
Fonte: http://atarde.uol.com.br/economia/noticias/1584732-go-associados-aponta-estagnacao-na-producao-de-veiculos