31/10/2014 - 05h00
Nayara Figueiredo
A agropecuária brasileira segue nos radares dos investidores estrangeiros, que têm marcado presença através de operações de fusão e aquisição. Entretanto, a falta de clareza em alguns setores, a política adotada no País e a estimativa de margens baixas nas commodities devem impor cautela a estes investimentos em 2015.
De acordo com dados consolidados pelo Rabobank, em 2013, 60% das transações de fusões e aquisições no País assessoradas e concluídas pelo banco foram realizadas com participação de companhias internacionais, principalmente as norte-americanas ou asiáticas.
“O segmento de fertilizantes líquidos, por exemplo, apresenta um crescimento expressivo. Mesmo sendo um nicho relativamente pequeno, ele vem atraindo muitos investimentos estratégicos”, diz o especialista em Mergers & Acquisitions do Rabobank, Rodolfo Hirsch. O sócio da Demarest Advogados no segmento de Agronegócios, Renato Buranello, acrescenta que a área de insumos agrícolas como um todo, assim como as de sementes e grãos tendem a conseguir boas oportunidades no mercado investidor.
Cautela
“Neste ano o Brasil ficou meio parado no que se refere a investimentos porque havia uma disputa eleitoral na qual o governo poderia mudar de direção. Com a reeleição da presidente Dilma, o cenário está mais claro porque os investidores já conhecem as posições dela, mas a palavra do momento é cautela, uma vez que ainda não está definida qual será a política macroeconômica”, explica o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gustavo Diniz Junqueira.
Outra questão que pode reduzir a vinda de estrangeiros é expectativa de queda nas margens de preço e rentabilidade das commodities. Para o sócio da GO Associados, Fábio Silveira, este recuo nos rendimentos da produção vai impactar negativamente no próximo ano.
“Será necessário controle de custos e cautela. Tivemos situações de excelentes captações de renda, produção e área plantada. Agora entraremos em um ano de ajustes”, explica o executivo da GO Associados.
Investimento direto
Dados do Banco Central mostram que o capital direto investido na agropecuária passou de US$ 559 mi, em 2013, para US$ 193 mi no comparativo anual para o acumulado do ano até setembro. Isso devido a uma limitação do governo federal para aquisição de terras por estrangeiros.
“Isso precisa ser revisto para que tenhamos acesso a investimentos maiores. Esta é uma das coisas que trava o capital de entrar no País”, critica o presidente da SRB.
Diante disso, o capital fica limitado à entrada através de companhias do setor. Segundo o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Mauro Lopes, este fator viabilizou a participação externa indireta e favoreceu a exploração de grãos, insumos e alimentos processados, como as carnes.
Fonte: DCI
Gesner José de Oliveira Filho ou simplesmente Gesner Oliveira. Gesner Oliveira é sócio da GO Associados e Professor de Economia da FGV São Paulo. Foi Presidente da Sabesp; exerceu dois mandatos como Presidente do CADE; foi Secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Fazenda e Secretário de Política Econômica. Foi sócio da Tendências Consultoria. Entre outros livros escreveu “Parcerias Público-Privadas, Experiências, Desafios e Propostas”. @GesnerOliveria #GesnerOliveira
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sexta-feira, 7 de novembro de 2014
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Com recuo de commodities, PIB terá alta menor
03/11/2014
Se a recente queda de preço das commodities agrícolas e metálicas se prolongar ao longo de 2015, a economia brasileira poderá crescer ainda menos que o previsto no ano que vem, segundo análise de economistas ouvidos pelo Valor .
A Nomura Securities, por exemplo, estima em relatório divulgado semana passada que o recuo prolongado de preços faria o Produto Interno (PIB) do Brasil crescer 1,8% no próximo ano, em vez de 2,1%, estimativa que é o cenário-base da instituição. De acordo com a Nomura, 70% das exportações do Brasil são commodities, com minério de ferro, soja e petróleo bruto sendo os três principais produtos.
Sílvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria Integrada, destaca que, embora as matérias-primas em geral sejam relevantes na pauta exportadora, o Brasil seria mais sensível à queda dos preços dos minérios. A previsão da consultoria é que os preços do minério fechem 2014 com queda de 10%. Para Campos Neto, os preços não devem se recuperar no ano que vem, porque há excesso de oferta no mercado global. "Isso certamente não favorece uma recuperação dos preços, o que limita a possibilidade de melhora da balança comercial no curto prazo."
A queda nas cotações das commodities piora também a relação entre a evolução do preço das exportações e das importações, os chamados termos de troca, que têm sido favoráveis ao Brasil nos últimos anos, diz Rafael Bacciotti, da Tendências. O avanço dos termos de troca na última década estimulou o acúmulo de recursos vindos do exterior para financiar o aumento das importações no país, o que permitia o crescimento da absorção doméstica (consumo, investimento e gastos públicos) em ritmo mais rápido que o do PIB.
"Esse crescimento explicável pelo acúmulo de poupança externa não deve acontecer nos moldes que acontecia antes", diz Bacciotti. Segundo ele, o cenário mudou. A perspectiva de que a China em desaceleração comprará menos commodities do que antes transformou o que até agora foi estímulo externo em limitador do crescimento brasileiro.
"A renda deve se expandir de maneira mais alinhada ao PIB nos próximos anos. Isso é um desafio, porque não teremos mais o boom de commodities e o fluxo de capitais também deve se reduzir", diz.
O cenário de menos recursos externos entrando no país ajuda a explicar a previsão da Tendências de desvalorização do câmbio nos próximos meses. A moeda americana deverá terminar 2015 em R$ 2,79, depois de fechar este ano a R$ 2,58. "Isso tem como fundamentos tanto a alta global do dólar, com expectativa de início de ajuste da política monetária americana, quanto a questão das commodities e dos termos de troca que não serão tão favoráveis como nos anos anteriores", diz Campos Neto.
A Nomura prevê o dólar a R$ 2,70, impulsionado pela necessidade de compensar a queda dos termos de troca. "Se um choque de preços de commodities leva a um menor fluxo de recursos para o Brasil, forçando déficit em conta corrente menor, então a moeda teria de se desvalorizar ainda mais", observa.
O cenário para as matérias-primas agrícolas, como soja e milho, também é desanimador do ponto de vista das exportações brasileiras, avalia Fábio Silveira, da GO Associados. Segundo ele, a cadeia produtiva agrícola já começa a sentir os efeitos da desvalorização dos preços. Só a soja -o Brasil exporta entre US$ 25 bilhões e US$ 35 bilhões por ano - acumulou queda em torno de 50% em apenas cinco meses de 2014. "Começou no segundo trimestre e caiu como um paraquedas", diz Silveira.
Para ele, a principal causa da baixa nos preços dos alimentos vem do comportamento do mercado financeiro, e não de questões de oferta e demanda global. A baixa é influenciada, principalmente, pela percepção dos investidores de que os juros americanos subirão em 2015, em um momento em que as safras agrícolas ao redor do mundo oferecem excedente de produção.
"Temos o mundo financeiro interferindo bastante na formação dos preços agrícolas. É, sobretudo, a fuga de investidores desse mercado migrando para títulos de renda fixa", diz Silveira. Ele prevê que os preços da soja caiam 15% em 2014 e outros 15% no ano que vem.
A baixa nos alimentos pode, por outro lado, favorecer o processo desinflacionário no Brasil. Na avaliação da Nomura, preços menores nas chamadas soft commodities (basicamente agrícolas) poderiam ter impacto positivo na inflação, criando espaço para uma resposta contracíclica a uma eventual desaceleração da economia. Já uma queda prolongada nos preços dos metais teria um impacto relativo maior no crescimento e no nível do câmbio, projeta a consultoria. De forma geral, "os preços das commodities têm impacto direto nas exportações e nos níveis de investimentos", diz o relatório.
A Nomura, nas suas previsões, usa o índice CRB, que mede a variação de uma cesta de 19 commodities, entre alimentos, energia e metais. No cenário montado pela consultoria, após o recuo de quase 10% no terceiro trimestre, o CRB cairia mais 10% no quarto trimestre (até agora caiu 3%) e ficaria nesse nível ao longo de 2015, o que implica queda de 12% no ano que vem, na comparação com 2014.
Para o minério de ferro, Silveira prevê que os preços continuem em queda ao longo de 2015 e cheguem à faixa de US$ 90 a tonelada, após fechar 2014 em torno de US$ 95. "O biênio 2014-2015 será o fundo do poço de várias commodities, ainda tem uma pressão que vai se propagar para o ano que vem", diz Silveira, que explica que a queda nos metais é reflexo da baixa nos preços das outras commodities, além de uma ampliação da oferta australiana.
Os preços do petróleo, prevê a GO Associados, devem cair 7% na média em 2014, fechando em torno de US$ 100, e sofrer nova queda, de mais 10%, no ano que vem. Apesar disso, o óleo deve influenciar positivamente a balança comercial em 2015, segundo Silveira, já que há expectativa, no Brasil, de aumento da produção e da exportação e de alguma redução da importação.
"O petróleo começou a ter aumento de produção no Brasil e já está em ritmo mais acelerado", diz. Mesmo com a queda dos preços do óleo, o efeito do petróleo tende a ser positivo para o comércio exterior brasileiro. A projeção da GO Associados, em fase de revisão, é de superávit comercial de US$ 3 bilhões em 2014 e US$ 6 bilhões em 2015.
Fonte: Valor Econômico
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Petróleo em queda pode ajudar balança comercial do país a fechar com superávit
O forte recuo na cotação internacional do barril de petróleo do tipo Brent neste mês - de 9,2% até a última sexta-feira - pode ajudar a balança comercial do país a ter um pequeno superávit neste ano. Na visão de analistas do setor, a redução esperada para o déficit da balança de petróleo e derivados, que neste ano até setembro estava em 21,9%, vai se intensificar, já que o Brasil importa mais combustíveis e outros subprodutos do petróleo do que vende o óleo cru.
Um efeito negativo, no entanto, deve ser observado no nível de exportações totais do Brasil. Neste ano, o petróleo, entre os três produtos mais vendidos ao exterior, é o único que foi expressivo nos embarques na comparação com o ano passado, o que ajudou a segurar o recuo nos preços do minério de ferro e da soja. De janeiro a setembro e na comparação com o mesmo período do ano passado, os embarques de óleo cru atingiram US$ 12,2 bilhões, valor 42,5% superior a 2013.
Analistas estimam que a maior parte dos contratos de venda de petróleo assinados pela Petrobras não passem pelo mercado "spot", mais sensível à variação de preços. Assim, o petróleo mais barato deverá aparecer nas estatística de comércio exterior entre um e dois meses. "Apesar de segurar um pouco o nível do crescimento das exportações de petróleo, a queda na cotação é favorável ao resultado da balança comercial. Algo do efeito desse movimento internacional ainda será observado na balança comercial até o fim do ano", afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
Neste ano até setembro, a balança de petróleo e derivados registrou déficit de US$ 15,2 bilhões, valor 23% menor do que ano passado. "Sempre quando cai o preço do petróleo bruto, há uma forte correspondência com o preço dos derivados. A tendência deste ano saldo negativo menor deve se acentuar, o que vai ajudar no resultado final", diz Castro.
O sinal do saldo da balança comercial em 2014 dependerá mais do volume exportado de petróleo do que da oscilação de preços. Na média entre setembro e as duas primeiras semanas deste mês, foram exportadas 98 mil toneladas ao dia. No mesmo período do ano passado, as vendas diárias foram de 64 mil toneladas.
Até o final de dezembro, no entanto, a commodity terá que ser embarcada em maior volume para compensar as três plataformas exportadas pela Petrobras no último trimestre de 2013, que adicionaram US$ 4,9 bilhões às exportações totais. Até setembro, os embarques totais do Brasil registravam retração de 1,7%, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).
"Como não teremos esse tipo de embarque até o fim do ano, nas minhas contas, a média diária de petróleo vendida teria que aumentar para 130 mil toneladas para compensar esse feito. Com o óleo um pouco mais barato e não havendo esse crescimento tão grande no volume embarcado, por causa das plataformas, as exportações totais podem fechar o ano com recuo de 5,5%", afirma o presidente da AEB.
A projeção da GO Associados para as contas de petróleo e derivados é de recuo de 27,8% no déficit em 2014, que deve cair para US$ 12,6 bilhões na conta que exclui gás natural, hulha e outros energéticos. O Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) trabalha com redução no saldo negativo de 27%, mas com o déficit não passando de US$ 9 bilhões.
O aumento de produção por parte da Petrobras e a desaceleração da economia, que esfriou a demanda tanto do óleo cru quanto dos combustíveis derivados, ajudaram a aliviar a conta comercial brasileira. Até setembro, a produção nacional de petróleo havia crescido 3,7%.
"O comportamento da balança do setor de petróleo e gás ficou em linha com o projetado no começo do ano, em função da concretização do aumento da oferta e necessidade menor da importação, afetada pela desaceleração da economia", afirma Fabio Silveira, diretor de pesquisa econômida da GO Associados.
Para Rodrigo Branco, economista do Centro de Estudos de Estratégias de Desenvolvimento (CEDES/UERJ), o recuo da cotação do barril de petróleo tem "efeito marginal" no valor que será obtido com as exportações da commodity até o fim do ano. "O volume será muito mais importante para definir se teremos déficit ou superávit", afirma.
Nas previsões do centro de estudos do qual Branco faz parte, o petróleo é o produto com maior papel na definição do resultado do ano, já que os contratos de venda de minério de ferro a ser embarcado estão assinados e a soja foi praticamente toda exportada.
Caso se mantenha no médio prazo a tendência de permanência do barril de petróleo em um patamar de US$ 85, o principal efeito negativo para as exportações será sentido nos números do ano que vem, já que, em volume, "a produção vai aumentar e com isso teremos mais exportação e a importação deve recuar."
Fonte: Valor Econômico/Rodrigo Pedroso | De São Paulo
Um efeito negativo, no entanto, deve ser observado no nível de exportações totais do Brasil. Neste ano, o petróleo, entre os três produtos mais vendidos ao exterior, é o único que foi expressivo nos embarques na comparação com o ano passado, o que ajudou a segurar o recuo nos preços do minério de ferro e da soja. De janeiro a setembro e na comparação com o mesmo período do ano passado, os embarques de óleo cru atingiram US$ 12,2 bilhões, valor 42,5% superior a 2013.
Analistas estimam que a maior parte dos contratos de venda de petróleo assinados pela Petrobras não passem pelo mercado "spot", mais sensível à variação de preços. Assim, o petróleo mais barato deverá aparecer nas estatística de comércio exterior entre um e dois meses. "Apesar de segurar um pouco o nível do crescimento das exportações de petróleo, a queda na cotação é favorável ao resultado da balança comercial. Algo do efeito desse movimento internacional ainda será observado na balança comercial até o fim do ano", afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
Neste ano até setembro, a balança de petróleo e derivados registrou déficit de US$ 15,2 bilhões, valor 23% menor do que ano passado. "Sempre quando cai o preço do petróleo bruto, há uma forte correspondência com o preço dos derivados. A tendência deste ano saldo negativo menor deve se acentuar, o que vai ajudar no resultado final", diz Castro.
O sinal do saldo da balança comercial em 2014 dependerá mais do volume exportado de petróleo do que da oscilação de preços. Na média entre setembro e as duas primeiras semanas deste mês, foram exportadas 98 mil toneladas ao dia. No mesmo período do ano passado, as vendas diárias foram de 64 mil toneladas.
Até o final de dezembro, no entanto, a commodity terá que ser embarcada em maior volume para compensar as três plataformas exportadas pela Petrobras no último trimestre de 2013, que adicionaram US$ 4,9 bilhões às exportações totais. Até setembro, os embarques totais do Brasil registravam retração de 1,7%, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).
"Como não teremos esse tipo de embarque até o fim do ano, nas minhas contas, a média diária de petróleo vendida teria que aumentar para 130 mil toneladas para compensar esse feito. Com o óleo um pouco mais barato e não havendo esse crescimento tão grande no volume embarcado, por causa das plataformas, as exportações totais podem fechar o ano com recuo de 5,5%", afirma o presidente da AEB.
A projeção da GO Associados para as contas de petróleo e derivados é de recuo de 27,8% no déficit em 2014, que deve cair para US$ 12,6 bilhões na conta que exclui gás natural, hulha e outros energéticos. O Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) trabalha com redução no saldo negativo de 27%, mas com o déficit não passando de US$ 9 bilhões.
O aumento de produção por parte da Petrobras e a desaceleração da economia, que esfriou a demanda tanto do óleo cru quanto dos combustíveis derivados, ajudaram a aliviar a conta comercial brasileira. Até setembro, a produção nacional de petróleo havia crescido 3,7%.
"O comportamento da balança do setor de petróleo e gás ficou em linha com o projetado no começo do ano, em função da concretização do aumento da oferta e necessidade menor da importação, afetada pela desaceleração da economia", afirma Fabio Silveira, diretor de pesquisa econômida da GO Associados.
Para Rodrigo Branco, economista do Centro de Estudos de Estratégias de Desenvolvimento (CEDES/UERJ), o recuo da cotação do barril de petróleo tem "efeito marginal" no valor que será obtido com as exportações da commodity até o fim do ano. "O volume será muito mais importante para definir se teremos déficit ou superávit", afirma.
Nas previsões do centro de estudos do qual Branco faz parte, o petróleo é o produto com maior papel na definição do resultado do ano, já que os contratos de venda de minério de ferro a ser embarcado estão assinados e a soja foi praticamente toda exportada.
Caso se mantenha no médio prazo a tendência de permanência do barril de petróleo em um patamar de US$ 85, o principal efeito negativo para as exportações será sentido nos números do ano que vem, já que, em volume, "a produção vai aumentar e com isso teremos mais exportação e a importação deve recuar."
Fonte: Valor Econômico/Rodrigo Pedroso | De São Paulo
Antes tarde do que nunca
21/10/2014 - 05h00
Liliana Lavoratti
Liliana Lavoratti
Alguns temas relevantes para o País demoraram a aparecer no debate da corrida presidencial deste ano. Um deles foi o sistema tributário das pequenas e microempresas, melhorado nos últimos, anos mas com aperfeiçoamentos pendentes. Com este assunto, a presidente Dilma e candidata à reeleição pelo PT abriu o debate anteontem à noite com seu concorrente, Aécio Neves (PSDB), na Rede Record. Embora os dois tenham dito o que era esperado - a presidente reiterou a promessa de novas melhorias no sistema de tributação dessas empresas, e o tucano reforçou essa necessidade -, o fato é que os candidatos finalmente incluíram o tema na agenda. Mudança de hábito
Produto robusto e masculino em outros países, as lavadoras de alta pressão conquistaram as mulheres brasileiras, já responsáveis por 50% das compras desse eletrodoméstico no Brasil. "De um ano pra cá identificamos essa mudança de hábito e, pensando nisto, criamos uma linha com lavadoras mais compactas, leves e com design exclusivo para o mercado nacional", diz Frank Corrêa, gerente de vendas da Kärcher, líder mundial em soluções de limpeza e criadora do conceito de lavadora de alta pressão. Nos últimos doze meses, as mulheres adquiriram 800 mil lavadoras.
Produção de automóveis
O cenário para a indústria automobilística brasileira permaneceu adverso após a divulgação da produção de setembro de 2014, quando foram produzidos 300,8 mil veículos (incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus), ou seja, 6,7% abaixo do observado no mesmo mês de 2013. Segundo o diretor do Departamento de Pesquisas da GO Associados, economista Fabio Silveira, isto levou a produção do setor, nos nove primeiros meses de 2014, a acumular queda de 16,8% perante igual período anterior.
Rodeio premiado
Percorrer estados brasileiros promovendo treinamento de mão de obra de operadores de máquinas de construção e a divulgação das minicarregadeiras Skid CASE foi o objetivo do Rodeio Skid CASE, realizado em 2013. O projeto também rendeu à CASE Construction Equipment, marca da CNH Industrial, o primeiro lugar na categoria Comunicação e Organização de Eventos do 40º Prêmio Aberje - regional Minas Gerais / Centro-Oeste. O Prêmio Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) é referência em concursos de comunicação do Brasil.
Água em debate
A GO Associados promoverá nesta quinta-feira (23), das 18:00 às 19:30, palestra com conference-call sobre "O desenvolvimento da Cidade de São Paulo e a Crise da Água". Dentre os convidados, Caio Ferraz Silva, diretor do filme "Entre Rios"; Anna Lívia Arida, diretora da ONG Minha Sampa; e Dante Ragazzi Pauli, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental. O evento indica que este debate está se ampliando cada vez mais e para segmentos da sociedade brasileira além de governos e empresas.
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Preço do petróleo desaba e zera defasagem da gasolina no Brasil
Por: Raquel Landim | De São Paulo
Valdo Cruz | De Brasília15/10/14 09:30
A queda forte do preço do petróleo zerou a defasagem entre os preços da gasolina e do diesel praticados no Brasil e no exterior. A notícia é um alívio para a situação financeira da Petrobras e o governo já cogita não reajustar os combustíveis este ano.
"Não faz o menor sentido, num cenário como o atual, aumentar não só a gasolina como o diesel", disse um assessor do governo à reportagem. Ele pondera, no entanto, que a decisão final será tomada após as eleições pela presidente Dilma.
O barril de petróleo tipo Brent caiu 4,3% ontem para US$ 85,04 em Londres, o menor patamar em quatro anos. Desde o fim de 2013, a queda já chega a 23,5%, derrubando também as cotações dos produtos derivados.
A defasagem entre os preços dos combustíveis no Brasil e no golfo do México, que chegou a 20% em fevereiro, desapareceu. Cálculo do Itaú BBA aponta que a gasolina está hoje 5% mais cara que no exterior e o diesel 1%.
Esses porcentuais não levam em consideração o frete, que onera o combustível importado em cerca de 10%. Se incluído esse custo, a defasagem na gasolina ainda estaria próxima de 7%.
"No cenário atual, não há razão para reajuste dos combustíveis", disse Paula Kowarsky, analista do Itaú BBA. "Um reajuste seria malvisto, porque vai elevar a inflação à toa", disse Fábio Silveira,economista da GO Associados.
Segundo assessores da presidente Dilma, a queda do preço do petróleo é uma notícia positiva para o governo diante do risco de a inflação estourar o teto da meta.
A Petrobras vinha sofrendo muito com essa diferença de preços local e externo, porque o governo optou por segurar repasses para não pressionar a inflação.
Até agora, a estatal era obrigada a importar combustível caro e vender com prejuízo. Segundo o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), a Petrobras perdeu R$ 2,7 bilhões com essas operações desde novembro de 2013, quando ocorreu o último reajuste da gasolina.
Segundo analistas, a forte queda do preço do petróleo é consequência da maior produção do produto nos Estados Unidos e da menor expansão da demanda global desde 2009.
A Opep, que reúne os países produtores de petróleo, resiste em cortar a produção, apesar dos pedidos da Venezuela. A Arábia Saudita e outros países creem que a queda dos preços é passageira. Além disso, os investidores estão se antecipando ao aumento de juros nos EUA e saindo das commodities.
Fonte: Folha
GO Associados: indefinição política pressiona o mercado
Por: Gustavo Porto
Qua, 15/10/2014 às 12:45
A indefinição do cenário político - com o debate desta terça-feira, 14, entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) e a expectativa de novas pesquisas eleitorais, ainda hoje - pressiona e traz volatilidade ao mercado. A avaliação é do diretor de pesquisa econômica da GO Associados, Fabio Silveira.
"Acho que houve um empate técnico no debate de ontem, pela falta de discussão de propostas e políticas. Não há espaço para debate sério, e a tensão aumenta mais com a expectativa pelas novas pesquisas", disse.
Silveira avalia que a volatilidade no mercado é ainda retrato do equilíbrio no segundo turno e da perda da supremacia que Dilma Rousseff tinha sobre qualquer adversário nas pesquisas eleitorais até pouco tempo atrás.
"Os efeitos da pouca felicidade na política econômica dela mostram que ela não tem mais a supremacia que tinha dois meses atrás", disse. "Isso multiplicou a percepção do eleitorado em relação a ela e amplia a incerteza do mercado, que tem clara preferência por Aécio", comentou.
Fonte: Estadão
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
"Plano de Voo": Na reta final, mais do mesmo
29/09 - Liliana Lavoratti
Candidatos tentam as últimas cartadas para melhorar a performance nas eleições, que acontecem no próximo final de semana
Na reta final, mais do mesmo
Na semana derradeira da corrida presidencial, e antes de 141,824 milhões de eleitores irem às urnas dia 5, a presidente Dilma (PT) e a ex-senadora Marina Silva (PSB) ainda tentarão as últimas cartadas para melhorar a performance - certamente enfatizando a linha de ataques mútuos que predominou durante a campanha -, enquanto o terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, Aécio Neves (PSDB), segue a mesma cartilha. Embora a redemocratização já tenha atingido a fase adulta - 30 anos - e o País tenha sido abalado pelas jornadas de protestos há pouco mais de um ano, a famigerada mudança parece ter ficado para o futuro.
Já em 2015
O País já está voltado a 2015, pois parece que 2014 já era. A única interrogação mais importante é quanto ao resultado das urnas no próximo domingo. O eleitorado vai confirmar a preferência pela reeleição da presidente Dilma? Fora isso, os cálculos todos estão direcionados para janeiro do próximo ano em diante. E, infelizmente, os cenários traçados - mesmo bastante destoantes entre si -, não são muito favoráveis. Já é voz corrente que 2015 será de crescimento anêmico, com a população digerindo as medidas amargas que o governo terá de adotar para retomar o rumo.
Mundo vai ajudar?
Na sexta-feira, quando será divulgado o PIB do segundo trimestre dos Estados Unidos, pode ficar mais claro se a crise de 2008-2009 está mesmo ficando para trás. Segundo o diretor de Pesquisas da GO Associados, Fabio Silveira, "após cinco anos de injeções generosas de liquidez e acúmulo de gigantescos déficits públicos, a economia dos EUA emite sinais mais nítidos de que está no rumo certo". O horizonte pode levar de 6 a 12 meses. Nesse caso, mesmo a China crescendo a 6% ao ano, os preços das commodities poderiam ser menos prejudicados - beneficiando o Brasil.
Por aqui
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reúne hoje com empresários de vários setores na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista. A pauta formal prevê debate sobre o atual cenário econômico e as perspectivas para as exportações brasileiras. Entre os participantes do encontro, o presidente em exercício da Fiesp, Benjamin Steinbruch, e o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade. Praticamente demitido pela presidente Dilma caso ela seja reeleita neste domingo, Mantega não deverá ser poupado pelos empresários.
Plano B
A insegurança relativa à cotação do dólar, que na última semana voltou a subir mesmo com intervenção do Banco Central, levou Amador Alonso Rodriguez, presidente da Anefac (entidade dos executivos de finanças) a afirmar na última quinta-feira, durante entrega do Troféu Transparência, que a associação ainda não escolheu o local do próximo congresso nacional da categoria, em maio, no exterior, pela dificuldade de prever custos. "A ideia é fazer o congresso fora, mas trabalhamos com um plano B, caso o dólar suba muito", disse ante as cerca de 500 pessoas presentes.
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