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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Economistas reduzem estimativa para IGP-M

16/06/2014 às 05h00
Por Arícia Martins | De São Paulo
Claudio Belli/Valor / Claudio Belli/Valor
De acordo com Fabio Silveira, da GO Associados, contribuição do dólar para a inflação mais baixa será passageira
O recuo de commodities agrícolas e minerais no mercado internacional e a trajetória mais favorável do câmbio reduziram estimativas para a inflação no atacado em 2014, o que pode dar alívio para os preços ao consumidor. Antes na casa de 7%, projeções de economistas consultados pelo Valor para a alta do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) estão, agora, entre 5,5% e 6%.
Já as previsões para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) seguem rondando o teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 6,5%, mas podem cair -ainda que em menor intensidade - a depender da evolução dos preços das matérias-primas e do dólar nos próximos meses.
Na semana passada, foram divulgados alguns dados de inflação ao produtor que acabaram levando a perspectivas mais modestas para o aumento do IGP-M no ano. Elaborado pelo Banco Central, o Índice de Commodities Brasil (IC-Br) caiu 1,96% em maio, após ter cedido 2,53% em abril. A primeira prévia do IGP-M de junho, na qual a Fundação Getulio Vargas (FGV) calcula a variação de preços entre os dias 21 e 31 do mês de maio, mostrou deflação de 3% nos preços agrícolas e de 0,63% nos industriais, mesmo com a alta de 1% do dólar no período.
O diretor de pesquisa econômica da GO Associados, Fabio Silveira, diz que a permanência da taxa de câmbio ao redor de R$ 2,20 é o principal fator que mantém os preços de commodities mais comportados no atacado, mas avalia que essa contribuição será passageira. Como a moeda nacional deve voltar a se depreciar após as eleições e o governo deve autorizar reajuste na ordem de 5% da gasolina, também depois de outubro, Silveira segue trabalhando com avanço de 6,6% para o IPCA em 2014, mesmo após ter revisado para 5,3% sua projeção para o IGP-M.
"Passado o período eleitoral, o dólar vai pular para R$ 2,35 ou R$ 2,40", prevê o economista, para quem, após outubro, o câmbio deixará de ser usado como âncora inflacionária pelo BC e voltará a ser pensado pelo governo como indutor de exportações. Mesmo sem a continuidade da ajuda do dólar, porém, Silveira avalia que a atividade mais fraca e a retração de alguns produtos no mercado internacional podem dar alguma pequena folga ao IPCA.
Luis Otavio de Souza Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil, observa que nem todos os vetores de desaceleração dos IGPs estão concentrados no câmbio ou na queda de preços fora do país. Segundo Leal, boa parte da retração dos itens agropecuários ainda está relacionada à perda de fôlego de alimentos in natura e carnes após os efeitos da estiagem, movimento que pode até levar o grupo alimentação e bebidas ao terreno negativo no varejo em junho. Essa reversão, segundo ele, tem potencial para reduzir as expectativas do mercado para a inflação oficial em 2014. As projeções do banco para o IGP-M estão em processo de revisão e, por ora, o ABC espera alta de 6,3% para o IPCA este ano.
Já André Muller, da Quest Investimentos, diz que está confortável com sua previsão de aumento de 6,5% para o IPCA no ano, mesmo com um IGP-M mais perto de 6% no período. A atual estimativa para o índice, de 7%, será cortada. "De fato os IGPs estão surpreendendo para baixo, mas depois de passado esse período de três meses de inflação mais baixa, as preocupações devem voltar".

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http://www.valor.com.br/brasil/3584664/economistas-reduzem-estimativa-para-igp-m#ixzz34oHs2Zi2

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Na contramão, consumo acelera no Centro-Oeste

Por Arícia Martins | De São Paulo
Nem todas as regiões do Brasil viram o nível de consumo desacelerar com força no começo deste ano. No Centro-Oeste, o varejo cresceu muito acima da média nacional entre janeiro e março, tendência que deve continuar ao longo de 2014. Para economistas, o bom desempenho do agronegócio tem impulsionado a geração de empregos, os ganhos de renda e, por conseguinte, compras de bens de maior valor nessa área do país. Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou só 0,2% na passagem do último trimestre de 2013 para o primeiro de 2014, feitos os ajustes sazonais, o setor agropecuário teve expansão de 3,6%.
As contas nacionais dão uma pista sobre o descompasso entre o comportamento do comércio em geral e na média do Distrito Federal e dos Estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas do varejo restrito - que não incorpora automóveis e material de construção - subiu 2,2% nos primeiros três meses do ano no Centro-Oeste, bem acima da média nacional, de 0,3%. No comércio ampliado, que inclui os dois setores, a diferença é ainda maior: as vendas cresceram 3,5% na região e encolheram 0,2% no país.
Nas projeções da GO Associados, a receita agrícola bruta de grãos e de culturas permanentes (café, cana, fumo e laranja) vai subir 7% entre 2013 e 2014, para R$ 293,5 bilhões, puxada principalmente pela soja, movimento que tem influência positiva sobre o comércio de regiões produtoras. Fabio Silveira, diretor de pesquisa econômica da consultoria, calcula que cerca de 30% da receita de R$ 91,4 bilhões da safra da commodity ficará no Mato Grosso, principal Estado produtor do grão.
"Essa ainda é uma região de prosperidade, ao contrário de Estados onde a indústria tem maior peso", diz Silveira, que ainda aponta que os efeitos da renda agrícola sobre a economia regional não são pontuais. "Essa renda vira poupança de famílias e empresas, o que garante uma circulação monetária ao longo de todo o ano."
Para Marianne Hanson, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o mercado de trabalho mais aquecido tem favorecido o consumo no Centro-Oeste. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), também do IBGE, o contingente de ocupados aumentou 2,6% na região, na comparação do primeiro trimestre com o mesmo período do ano passado, ante avanço de 2% na média nacional. Já a taxa de desemprego do Centro-Oeste ficou em 5,8% nos primeiros três meses do ano, patamar inferior ao percentual consolidado do país, de 7,1%.
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, também mostra um quadro mais positivo no Centro-Oeste. De janeiro a abril, a criação de empregos formais subiu 1,1% no total do país e 2,2% na região. Das 60 mil vagas com carteira abertas no primeiro quadrimestre no Centro-Oeste, 19,6% vieram da agricultura. Ainda segundo o Caged, o salário médio de contratação aumentou 1,8% no Brasil e 3,2% no nesta parte do país em abril, em relação a igual mês de 2013.
Na opinião da economista da CNC, a confiança dos consumidores da região em relação à manutenção de seus empregos e a satisfação com o nível de renda influenciam seu perfil de compras e de endividamento, que também têm divergido da média do Brasil. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, apontou que, em maio, 68,6% das famílias estavam endividadas no Centro-Oeste, parcela mais alta do que a do total do país, de 62,7%.
Isso não necessariamente significa uma capacidade menor de consumo, já que estes consumidores estão contratando crédito de maior qualidade e, por isso, não têm sido tão afetados pelo aumento dos juros, diz Marianne. Ela destaca que essa região é que tem a maior fatia de famílias com financiamento de carro (21,7%), dado condizente com a alta de 0,4% das vendas de veículos, motos, partes e peças em Goiás nos 12 meses até março. No Brasil, o varejo nesse setor caiu 0,3% em igual período. Por outro lado, nos Estados do Centro-Oeste, há menos consumidores com dívidas em atraso (19,7%, ante 20,4% na média nacional).
Na avaliação do presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomercio-GO), José Evaristo dos Santos, o varejo do Estado pode sofrer algum impacto negativo em junho e julho, já que Goiânia não foi escolhida como cidade-sede da Copa e vai "perder" o efeito benéfico que o aumento do turismo poderia ter para Brasília. Além disso, os jogos diminuem o movimento nas lojas. Mesmo assim, ele aponta que o desempenho do setor deve seguir superando a média do país. "Mantida a geração de empregos e a satisfação do trabalhador em relação à renda, com um endividamento não muito elevado, isso já é suficiente", afirma Santos.
A CNC trabalha com expansão de 4,9% para o volume de vendas do varejo restrito em 2014. A entidade não faz estimativas regionais, mas, tendo em vista o perfil do Centro-Oeste, Marianne avalia que o comércio nesses Estados pode crescer um pouco mais do que a média do Brasil neste ano.
Leia mais em:
http://www.valor.com.br/brasil/3580808/na-contramao-consumo-acelera-no-centro-oeste#ixzz34LDkmh5o

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Melhora relação de troca para o sojicultor de Mato Grosso

Em abril, ele precisou de 22,3 sacas para comprar uma tonelada de adubo, conforme levantamento da GO Associados

POR REDAÇÃO GLOBO RURAL

A relação de troca de produto por fertilizante melhorou para o produtor de soja do estado de Mato Grosso no mês de abril. É o que aponta um levantamento feito pelo economista Fábio Silveira, da GO Associados. Foi a segunda baixa seguida desde novembro do ano passado.
Segundo o levantamento, com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em abril, o preço médio do adubo foi de R$ 1,22 mil por tonelada. Já a saca de 60 quilos de soja valia R$ 54,6. Com isso, uma tonelada de fertilizantes custava o equivalente a 22,3 sacas.
Em março, a relação de troca estava em 22,9 sacas de soja por tonelada de fertilizante. Apesar da melhora em abril, a situação é bem pior que registrada, por exemplo, em novembro de 2013, que estava em 19 sacas por tonelada.

Fonte: http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Agricultura/Soja/noticia/2014/06/melhora-relacao-de-troca-para-o-sojicultor-de-mato-grosso.html

O avanço do PIB de 0,2% reflete o ciclo de alta de juros no Brasil

A expressão “devagar, quase parando” coube como uma luva para o resultado do Produto Interno Bruto do primeiro trimestre deste ano. O avanço da economia de 0,2% entre janeiro e março foi pior do que o esperado pelos economistas. Houve recuo ou crescimento menor de praticamente todos os componentes da demanda em comparação com os três meses anteriores: o consumo das famílias caiu 0,1%, o da administração subiu 0,7%, contra 0,9% do trimestre anterior, a taxa de investimento caiu 2,1%, e as exportações recuaram 3,3%. Somente as importações subiram 1,4%.
O que aparece agora nos números macroeconômicos já vinha se antecipando em outros indicadores. O índice de confiança do consumidor medido pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), por exemplo, teve uma queda de 25% de maio do ano passado para cá, num movimento quase paralelo ao ciclo da alta de juros que começou em abril de 2013. A taxa de referência do Banco Central tem subido desde abril de 2013 como o remédio amargo para contrair o consumo, no intuito de reduzir a inflação. Menos confiante com o futuro, o consumidor compra menos. “O aumento dos custos com crédito reduziu o consumo ”, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quinta-feira.
Da mesma forma, o empresário deixa na gaveta seus planos de expansão, até porque precisa encarar crédito mais caro para colocar em marcha os seus planos. Mantega acredita que essa equação vai se reverter à medida que o consumo se recuperar com os índices inflacionários sob controle. “Com a inflação menor há mais espaço para tomada de credito, já que a inadimplência está baixa”, completou o ministro.
Ciente de que os juros mais altos são um mal necessário, mas que afeta o desempenho econômico, o BC decidiu interromper o ciclo de alta de juros na reunião realizada nesta semana, mantendo os juros em 11%. Os resultados dessa medida, porém, só aparecem no médio prazo.
Segundo Fabio Silveira, da GO Associados, o ciclo de alta é o primeiro aspecto a ser considerado. “Mas também houve uma queda de exportações, em função da desvalorização mais tímida da taxa de câmbio”, diz Silveira. A média do câmbio em relação ao dólar manteve-se em 2,36 reais no primeiro trimestre deste ano, contra 2,28 reais no último trimestre do ano passado. A moeda desvalorizada torna-se um fator de competitividade, e se ele estivesse na casa dos 2,70 reais, por exemplo, essa queda teria sido atenuada, acredita o economista.
Para José Ricardo Bernardo, sócio da GBI consultoria internacional, o recuo das vendas externas também teve a queda do preços das commodities no mercado internacional como fator preponderante. “As dificuldades da Argentina e da Venezuela prejudicam o resultado”, diz ele. O temor de calotes de pagamento, explica Bernardo, também inibe a ação dos exportadores. O crescimento mais lento da China é outro fator que fez a economia patinar, assim como a retomada lenta dos Estados Unidos.
Mantendo o habitual otimismo, Mantega previue uma retomada da atividade global que vai melhorar os resultados no segundo trimestre. Um dos setores que, segundo ele, devem puxar essa recuperação é a agricultura, que deve crescer nos próximos meses, pois trata-se de “época de colheita.” No primeiro trimestre, o setor agrícola cresceu 3,8%. O Ministério da Fazenda projetava um crescimento de 2,3% para este ano. Mas, o ministro não confirmou essa projeção, embora também não tenha falado em revisão dos números.
O resultado do ano passado foi revisto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com a inclusão de novas informações econômicas relativas à produção industrial mensal. Assim, o PiB de 2,3% do ano passado foi revisado para 2,5%.
Silveira lembra que 2014 tende a ser um ano morno em função da Copa do Mundo e das eleições, o que termina por adiar novos projetos de longo prazo. No acumulado em 12 meses, o PIB fica em 2,5%, na comparação com os quatro trimestres anteriores. Até o final do ano, porém, a economia deve fechar com um crescimento de 1,5%, avaliam alguns economistas. Isso significa que o emprego tende a crescer menos, inclusive com demissões pontuais no segundo semestre. “Nada que afete os fundamentos”, acredita Silveira.
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/05/30/economia/1401463980_300653.html

Produção de milho em 2015 deve ser menor que a atual

De acordo com o economista Fabio Silveira, produção nacional deve cair de 75 para 70 milhões de toneladas

POR FILIPE OLIVEIRA I EDIÇÃO: VINICIUS ARRUDA

A produção de milho do Brasil em 2015 deverá ser menor do que a atual devido à piora na rentabilidade. Foi o que disse o diretor da GO Associados, Fabio Silveira, nesta quinta-feira (29/5) durante o Seminário de Perspectivas para o Agribusiness em 2014 e 2015, promovido pela BM&FBovespa, em São Paulo (SP).
De acordo com Silveira, a produção brasileira do ano que vem deverá ser de 70 milhões de toneladas.  O valor é menor do que o da safra atual: 75 milhões de toneladas. A queda na produção também deverá afetar as exportações.
Segundo o economista, a gripe aviária na China teve influência na queda dos preços do cereal. “Isso acabou derrubando o preço do milho nos últimos 12 meses. Os preços só reagiram um pouco no final do ano passado e neste ano em função da estiagem aqui na América do Sul e do problema do frio nos Estados Unidos”, explicou o diretor da GO Associados.
Segundo ele, os preços médios do grão caíram no mundo aproximadamente 35% nos últimos dois anos. Este ano a queda foi de cerca de 20%. “Os preços só não caíram mais porque a atuação de movimentos especulativos na formação de preços foi bastante acentuada. Desde o final do ano passado, os contratos não comerciais reagiram positivamente na esteira da escassez internacional e conseguiram sustentar o preço”, disse.
O economista espera que em 2014, o preço do milho no mercado doméstico, que caiu 12% em 2013, suba 5%.
Frango
A produção brasileira de frango deve crescer 2,3% este ano, voltada fundamentalmente para o mercado doméstico, de acordo com as estimativas do economista. No ano que vem, tendo em vista a queda de rentabilidade da atividade avícola no Brasil, o crescimento não deve ser maior que 2%.
Em relação aos preços, o internacional deve cair aproximadamente 7% com a produção avançando um pouco mais que o consumo em 2014. O preço de exportação deve cair para R$ 1,90 ou R$ 1,85. No ano que vem deverá ter alguma recuperação moderada.
Já a rentabilidade durante o período piorou no mercado interno. Mas não tanto quanto no mercado internacional, que teve uma queda mais acentuada.
O mercado de carne de frango, que teve um crescimento na faixa de 1,5% em 2014, deverá crescer 1,8% em 2015. 
Suínos
De acordo com Silveira, o cenário dos suínos é muito semelhante ao do frango. O crescimento de mercado global neste ano deve ser em torno de 1,1%. “Esse mercado foi beneficiado pela desaceleração do crescimento do consumo chinês, mas ainda assim não foi uma reação muito explosiva”, explica.
A rentabilidade ruim de 2014 tende a ser substituída por uma rentabilidade um pouco melhor no ano que vem. Em termos de preços, a evolução deve ser de 3%, devido a uma valorização do produto no mercado internacional por conta da demanda crescente na Rússia, já que o país deixou de ser abastecido pelos Estados Unidos.
Os preços dever ter uma evolução de 3% no ano que vem. Já o valor médio de exportação deve permanecer estável.  Em relação ao preço doméstico, que teve uma queda de média de 16% este ano, deverá haver uma evolução modesta no ano que vem.

Fonte: http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Agricultura/Milho/noticia/2014/05/producao-de-milho-em-2015-deve-ser-menor-que-atual.html

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Brasil só terá saneamento completo em 2060, diz professor da FGV


A situação do saneamento básico brasileiro é caótica, e, se os investimentos continuarem no mesmo passo, pode permanecer por mais meio século. A projeção feita pela Go Associados foi apresentada no Fórum de Sustentabilidade na manhã desta segunda-feira (2).
"Se mantivermos os atuais patamares de investimento em saneamento, só conseguiremos universalidade do saneamento em 2060", afirma Gesner Oliveira, professor da Fundação Getúlio Vargas e sócio da Go Associados.
Em 2014, a projeção é que se invista R$ 10,7 bilhões em projetos de saneamento básico e abastecimento de água. No ano passado, foram investidos R$ 10,3 bilhões, o que significa menos de 0,2% do PIB.
Oliveira nota que não adianta aumentar apenas o investimento para reverter a situação atual, onde 48,7% do Brasil tem sistema de esgoto. "Caso dobrem o investimento, a universalidade do saneamento chega em 2031, antes de 2033, data fixada pelo Plano Nacional de Saneamento Básico."
Segundo a projeção da Go Associados, é necessário aumentar a produtividade dos projetos de saneamento. Caso aumente em 30% a produtividade e mantenha os mesmos investimentos, por exemplo, o saneamento universal no Brasil chegaria em 2042. Oliveira observa que, se duplicarem os investimentos e a produtividade crescer 30%, em 2024, o Brasil estaria quase todo saneado.
"O Brasil ainda está muito atrasado no tratamento de água e o que acontece no saneamento básico é uma tragédia", diz Oliveira. De fato, das 100 maiores cidades brasileiras, 64 possuem menos de 80% de seu esgoto coletado, destas, 47 têm um índice menor do que 60%. Estados como Pará, Piauí e Rondônia, diz Oliveira, tem menos de 10% de seus municípios com esgoto coletado.
Se a coleta do esgoto é escassa, o tratamento é ainda mais raro. Dos 100 maiores municípios brasileiros, a Go Associados mostra que 78 não possuem seus esgotos tratados. Nenhuma cidade brasileira possui mais do que 95% do esgoto tratado.
Oliveira usa a Copa do Mundo como exemplo. "Das cidades-sede da Copa do Mundo, apenas Curitiba está na lista das dez cidades com melhores índices de saneamento." De acordo com dados do ranking Trata Brasil, Curitiba possui 95,5% do seu esgoto coletado e 87% do seu esgoto tratado; os números de São Paulo são, respectivamente, 96% e 50%. Em contraposição, Manaus, outra cidade-sede da Copa, coleta 26,8% de seu esgoto e trata 22,8%. 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2014/06/1463730-brasil-so-tera-saneamento-completo-em-2060-diz-professor-da-fgv.shtml

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Vendas caem 7,2% em Maio e acentuam o cenário pessimista do setor de veículos

3 junho de 2014 | 2h 02
Cleide Silva - O Estado de São Paulo

Descontos, taxa zero para financiamento, preço de funcionário e vale combustível, entre outras promoções oferecidas durante o mês pela maioria das fabricantes, não conseguiram animar o consumidor de veículos novos. Em maio, as vendas caíram 7,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado e praticamente empataram com as de abril, que teve um dia útil a menos.
Incluindo caminhões e ônibus, foram licenciados no mês passado 293,4 mil veículos, ante 293,2 mil em abril e 316,2 mil em maio de 2013. No acumulado do ano, a queda foi de 5,5%, contra 5% de retração até o primeiro quadrimestre. Nos cinco meses do ano, as vendas somaram 1,399 milhão de unidades.
Segundo dados preliminares do mercado, só o segmento de automóveis e comerciais leves caiu 7,5% no confronto com maio de 2013 e somou 278,4 mil unidades. Na comparação com abril, a queda foi de 0,6%. A média diária de vendas, contudo, teve retração de 5,3% em relação a abril e de 7,5% frente a um ano atrás.
Nesse segmento, as vendas totalizaram 1,334 milhão de unidades de janeiro a maio, queda de 5,1% no comparativo com igual período do ano passado. O reflexo na produção são os constantes anúncios de férias coletivas, lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho) e programas de demissão voluntária (PDV) por todas as grandes fabricantes.
Frágil
Para o economista da LCA Consultores, Rodrigo Nishida, o desempenho fragilizado do mercado de automóveis e comerciais leves deve-se a fatores conjunturais e estruturais. "Neste ano o preço dos veículos subiu, principalmente por causa da recomposição parcial do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), bem como da taxa de juros, por causa do ciclo de elevação da Selic."
Segundo Nishida, esses dois fatores, aliados à confiança do consumidor em patamares muito baixos, explicam parte da queda das vendas.
Outro motivo é estrutural, afirma o economista. "O mercado cresceu a taxas elevadas nos últimos anos, fazendo a penetração de veículos ser muito maior hoje do que era há dez anos e isso traz uma evidente diminuição do potencial de crescimento. Também contribuíram para a queda a grande antecipação de compras em 2012 e 2013.
Ajuste
O sócio-diretor da consultoria GO Associados, Fábio Silveira, vê este ano como de ajuste para a indústria automobilística. "Com crescimento baixo do PIB (Produto Interno Bruto), massa salarial em queda e crédito caro, o mercado deve encolher", afirma.
Por enquanto, Silveira não vê chances de uma virada nas vendas. "Até o primeiro semestre de 2015 o mercado continuará nessa pasmaceira", diz. "O que precisa é uma queda de juros e de impostos para abrir espaço para investimentos e capital de giro mais barato", completa.
Na quinta-feira, 5, a Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) vai divulgar o balanço de produção, exportações e emprego do setor e deve rever para baixo as projeções feitas no início do ano.
A indústria previa crescimento de 1,1% nas vendas em relação a 2013, quando somaram 3,76 milhões de veículos), de 1,4% na produção (que foi de 3,7 milhões de unidades) e 1,6% nas exportações (566 mil).
A vizinha Argentina, que em 2013 ajudou a indústria brasileira a ampliar as exportações em 26,5% e a produção em 10%, este ano também enfrenta crise e não dará a mesma contribuição.
Montadoras e governo estudam há mais de um mês para melhorar o comércio bilateral com os argentinos e um pacote para retomada do crédito no mercado brasileiro, mas, por enquanto, nada saiu do papel.
Mais vendidos
A Fiat segue como líder de vendas no País, com 21,1% de participação em maio. A Volkswagen recuperou o segundo lugar, com 18% dos negócios, mas muito próximo à General Motors, que voltou ao terceiro posto, com 17,6%. A Ford manteve-se em quarto lugar, com 8,8%, seguida por Renault, com 7,6%, e Hyundai, com 7,1%.
Entre os modelos mais vendidos, o Gol segue no topo da lista, com 15.187 unidades em maio, seguido por Palio (14.910), Strada (12.615), Onix hatch (11.696), Fiesta hatch (10.976) e Sandero (9.912). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.